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- Friday, 27. February 2015 3:00 pm Save in my calendar
Em debate: crescimento e sustentabilidade
A Fundação Heinrich Böll, em parceria com o Núcleo de estudos estratégicos - democracia, desenvolvimento e sustentabilidade (NEEDDS) e a Universidade Federal do ABC (UFABC), promoverá um debate sobre as contradições e desafios do crescimento, decrescimento, futuro da economia e bem estar social. Estarão presentes Reinhard Loske, ex-deputado federal e professor titular de Sustentabilidade e Dinâmica de Transformação da Universidade de Witten, Alemanha e Giorgio Romano, professor da UFABC e vice-coordenador do NEEDDS. O evento acontece no dia 27 de fevereiro, às 15h, na UFABC, São Bernardo do Campo (SP).
Como ter um crescimento contínuo se os recursos naturais são finitos e a crescente emissão de gases de efeito estufa está degradando o meio ambiente pondo em risco a vida de milhões de pessoas, especialmente nos países em desenvolvimento? Na Europa e em particular na Alemanha há um crescente debate sobre a necessidade ou não da economia “decrescer” ou crescer de forma diferente, ou seja, não ser pautada no aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para evitar o aquecimento global e garantir o futuro das sociedades. Enquanto alguns acham que com uma revolução tecnológica, aumentando a eficiência do uso dos recursos energéticos, ou uma política conseqüente de energias renováveis, aliada à “economia verde”, será possível diminuir as emissões e o gasto desses recursos finitos. Outros sustentam que isso não é nem suficiente nem funciona. Eles defendem a necessidade de uma “economia de suficiência”, o que implicaria também numa redução efetiva de produção e consumo.
Em escala global, os consumidores principais dos recursos naturais e os maiores agentes do aquecimento global são os países industrializados do Norte. Esta inegável responsabilidade histórica tem sido um dos principais pontos de embate nas negociações sobre como lidar com as mudanças climáticas no âmbito da ONU. Entre os maiores emissores de CO2 do mundo em números absolutos, hoje se encontram países emergentes, principalmente a China, mas também o Brasil. Porém, per capita as emissões estão bem abaixo das médias europeias – por enquanto.
No Brasil, o apelo para a redução do consumo soa mais que estranho. Afinal, parte expressiva da população, cerca de 16 milhões de pessoas, ainda vive com menos de US$ 40 por mês, num cenário de miséria e fome, devido às enormes desigualdades sociais. Há um consenso da direita à esquerda desenvolvimentista, no poder desde 2002, que o maior crescimento possível do PIB é a condição necessária para o desenvolvimento e a redução da pobreza no país. Por outro lado, o debate de alternativas ao desenvolvimento, de mudança de paradigma, de transformação de processos não é novo no Brasil, mas continua marginal. Além disso, muitos que defendem a perspectiva da justiça social, não a aliam a dimensão ambiental.
O prof. Reinhard Loske explicará sua tese de que crescimento do PIB pode ser bom e decrescimento pode ser melhor e porque crescimento sustentável e economia verde são ficções. Além disso, o crescimento não é sinônimo de desenvolvimento, assim como decrescimento não é de pobreza. E é possível para sociedades como a brasileira construírem uma economia e uma sociedade futura que não se baseie no PIB como índice principal de bem estar social.
Reinhard Loske é professor titular para Política, Sustentabilidade e Dinâmica da Transformação da universidade de Witten/Herdecke. De 1998 a 2007 foi deputado federal pelo Partido Verde e de 2007 a 2011 Secretário Estadual de Meio Ambiente e Transporte do Estado de Bremen, na Alemanha.
Em debate: crescimento e sustentabilidade
Data: 27 de fevereiro
Horário: 15h
Local: Universidade Federal do ABC (UFABC) – Auditório 002, Bloco Beta, UFABC - São Bernardo do Campo. Rua Arcturus s/n, Jardim Antares (Referência: Ginásio Poliesportivo - Avenida Kennedy)
Inscrições até dia 26 de fevereiro aqui
Realização da Fundação Heinrich Böll em parceria com o Núcleo de Estudos Estratégicos de Desenvolvimento Democracia e Sustentabilidade da Universidade Federal do ABC.
Leia uma entrevista com Loske e um artigo de sua autoria